17 de janeiro de 2011

A primeira de muitas visitas (…)


Sexta-feira fomos, com a professora de Psicologia, visitar o Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) - instituição com a qual vamos colaborar ao longo deste projecto. A visita foi muito mais impressionante e emocionante do que aquilo que estávamos à espera.
Quando lá chegamos, a professora apresentou-nos de imediato à directora. Depois de lhe apresentarmos o nosso projecto e de conversarmos um pouco com ela, percebemos o quanto é apaixonada e dedicada ao seu trabalho. Como é uma pessoa bastante acessível, mostrou-se muito receptiva e interessada pela nossa ideia.
A nossa visita começou pelas oficinas onde fazem trabalhos manuais (ex: bordar, pintar, tear…). Em seguida, conhecemos, finalmente, os “meninos” que se encontravam a ver um dvd de um concerto do Tony Carreira, uma vez  que, na sexta-feira era dia de filme. Estávamos com receio de dar o primeiro passo, mas eles mal nos viram entrar ficaram super felizes e um deles até nos veio cumprimentar. A directora esteve a contar-nos um pouco da história de vida de cada um deles (que vamos contando ao longo das próximas publicações), e todas elas nos deixaram bastante emocionadas.
Por fim, fomos visitar meninos com deficiências mais profundas e, essas foram as que mais nos perturbaram. Para descontrair, a directora levou-nos a conhecer os “cantos à casa”, que têm excelentes condições e são bastante acolhedores.

PS: Um sorriso vale mais do que mil palavras J

3 de janeiro de 2011

Autismo

O que é?


Desde o primeiro instante de vida do ser humano surge a necessidade de interacção com o mundo. Logo no útero, estabelecem-se formas de comunicação únicas entre a mãe e o filho. Os primeiros sons, os primeiros gestos, as primeiras palavras, os primeiros rabiscos, os primeiros silêncios. Tudo é comunicação
Apesar disso, existem crianças que não desenvolvem formas com o exterior, ou seja, são completamente indecifráveis.
O Autismo foi identificado pela primeira vez, em 1943, pelo psiquiatra norte-americano, Leo Kanner. Sendo, actualmente, definido como uma perturbação do desenvolvimento infantil que se prolonga por toda a vida e evolui com a idade, e que se apresenta como alterações de comunicação, socialização e comportamentos restritos. O bebé com autismo apresenta determinadas características diferentes dos outros bebés da sua idade. Pode mostrar indiferença pelas pessoas e pelo ambiente, pode ter medo de objectos. Por vezes tem problemas de alimentação e de sono. Pode chorar muito sem razão aparente ou, pelo contrário, pode nunca chorar.
Quando começa a gatinhar pode fazer movimentos repetitivos (bater palmas, rodar objectos, mover a cabeça de um lado para o outro). Não é capaz de interagir com os outros, pode não dar resposta aos desafios ou às brincadeiras que lhe fazem. Não utiliza os brinquedos na sua função própria. Por exemplo, uma boneca pode servir para desmanchar e partir mas não para embalar.

Dos 2 aos 5 anos de idade o comportamento autista tende a tornar-se mais óbvio. A criança não fala ou ao falar, utiliza a ecolália ou inverte os pronomes. Há crianças que falam correctamente mas não utilizam a linguagem na sua função comunicativa, continuando a mostrar problemas na interacção social e nos interesses.

Os adolescentes juntam às características do autismo os problemas da adolescência. Podem melhorar as relações sociais e o comportamento ou, pelo contrário, podem voltar a fazer birras, mostrar auto-agressividade ou agressividade para com as outras pessoas.

Os adultos com autismo tendem a ficar mais estáveis se são mais competentes. Pelo contrário, os menos competentes, com QI baixo, continuam a mostrar características de autismo e não conseguem viver com independência.

As pessoas idosas com autismo têm os problemas de saúde das pessoas idosas acrescidos das dificuldades de os comunicarem. Os problemas de comportamento podem por isso sofrer um agravamento. Além disso, perdem muitas vezes o gosto pelo exercício físico e têm menor motivação para praticar desporto, o que não contribui para melhorar a sua qualidade de vida. Por outro lado, o seu comportamento pode tender a estabilizar-se com a idade.

Causas

Nos anos 40 e 50 acreditava-se que a causa do autismo estava nos problemas de interacção da criança com os pais. Várias teorias sem base científica e de inspiração psicanalítica culpabilizavam os pais, em especial as mães, por não saberem dar respostas afectivas aos seus filhos. Esse período foi dramático e levou algumas mães a tratamento psiquiátrico e em caso extremo, ao suicídio.
As causas do autismo estão ainda por esclarecer completamente. As evoluções na pesquisa científica têm vindo a apontar para o facto de poderem existir diversas causas, algumas presentes, outras não, em determinada pessoa. Assim, tal como existem diferentes tipos de autismo, também existem vários tipos de causas para o autismo.

 Causas Sociais
Uma das primeiras conclusões a que se chegou no início das investigações acerca das causas do autismo foi a de que não existe qualquer influência entre os estilos parentais, as características sociais de uma família (ex: cultura).
Em todo o mundo, o autismo manifesta-se de forma independente da raça, cultura, educação ou classe social dos indivíduos.

 Causas genéticas
A investigação actual sobre o autismo indica que há factores genéticos que determinam o autismo.
Sabe-se, por exemplo, que é mais frequente nos homens do que nas mulheres (4 homens / 1 mulher), e que em irmãos gémeos de pessoas com autismo a probabilidade do autismo, ou sintomas relacionados, se manifestarem sobe significativamente.
            Apesar do peso dos factores genéticos ser reconhecido, não é conhecido nenhum mecanismo genético específico que tenha influência directa na manifestação de autismo.

Causas na anatomia e funções cerebrais
A causa do autismo mais citada e melhor descrita é a certeza de que as crianças e pessoas com autismo têm alterações na anatomia e funções cerebrais. Essas alterações começam numa fase precoce da vida e têm tendência a ser irreversíveis. Não há ligação causal entre atitudes e acções dos pais e o aparecimento das perturbações do espectro autista. As pessoas com autismo podem nascer em qualquer país ou cultura e o autismo é independente da raça, da classe social ou da educação parental.