21 de março de 2011

Dia da Escola Aberta

          Durante o dia 10 de Março, decorreu, na nossa escola, o “Dia da escola aberta”, no qual, foram realizadas diversas actividades relacionadas com os conteúdos das mais diversas disciplinas. Neste contexto, realizamos uma actividade que já havíamos planeado há algum tempo. Em conjunto com uma turma do 11ºano proporíamos aos utentes da instituição com a qual estamos a colaborar, e aos alunos, uma manhã diferente. Esta consistiu da vinda dos utentes à nossa escola, para assistirem a uma série de “Teatros de Sombras e Fantoches”, dinamizados pela turma do 11ºano. Os teatros de fantoches apresentados foram “O Patinho feio” e “O Malaquias”; os teatros de sombras foram “Simbad, o marinheiro” e “Branca de Neve e os Sete Anões”. Depois dos teatros, terminamos a visita por oferecer um pequeno lanche, preparado por nós, aos utentes e à turma que preparou os teatros apresentados.
            Na nossa opinião, esta foi uma experiência muito enriquecedora para ambas as partes, na medida em que, proporcionou a ambos a convivência com realidades bastantes distantes das suas. A receptividade por partes dos utentes foi bastante significativa porque, para eles, significou muito conhecerem uma escola, que nunca tiveram a oportunidade de frequentar, e conviverem com os alunos.  
  


 

11 de fevereiro de 2011

Entrevista à psicóloga do CAO

1- Sempre pensou em vir ser psicóloga?
“Sim, desde muito nova. É uma profissão que gosto muito, é muito gratificante do ponto de vista pessoal e profissional. É preciso ter algum estofo emocional, principalmente na área da deficiência.”

2- Pelo que já vimos desta instituição é bastante boa e para nós parece ser gratificante trabalhar com pessoas especiais como estas. É este o local ideal para exercer a sua profissão?
“Na nossa formação base não temos muito bem a percepção do que é a deficiência em si, só depois de fazermos diversos trabalhos – Mas era uma área que já me aliciava bastante.”

3- Acha que qualquer pessoa formada em Psicologia aguentaria trabalhar num ambiente tão emocionalmente forte?
“Penso que é preciso, realmente, as pessoas estarem sensibilizadas que isto não é como trabalhar com crianças ou adultos ditos normais. À partida, são pessoas que requerem muita mais atenção, compreensão…
Eu penso que é uma questão que depende muito do gosto pessoal. Depois, são as afinidades que uma pessoa vai criando porque por enquanto que uma pessoa quando está a trabalhar numa escola, as crianças vão sempre rodando, ao fim de 5 ou 6 anos vão embora e têm o seu percurso… aqui não. Nós estamos com eles continuamente, vemo-los crescer, adoecer, acompanhamos as famílias e do ponto de vista emocional e pessoal, envolve-se muito mais. É muito bom. Tem de se gerir muito bem as emoções, mas à medida que uma pessoa começa a trabalhar, começa a entrar nesta dinâmica.”

4- Como é trabalhar com portadores de Trissomia 21?
“Acima de tudo é preciso compreendê-los, perceber o que eles são, o que eles gostam, entender o seu perfil e tudo isto ajuda-nos a lidar com eles. À medida que vamos convivendo com eles, arranjamos outras formas de comunicar como a expressão facial, linguagem textual, etc… Mas não considero que seja difícil, nós é que precisamos de ultrapassar as dificuldades de trabalhar com estas pessoas especiais.”

5- Como é que eles encaram as situações do dia-a-dia?
“Os portadores de Trissomia 21 que têm um quadro mais complexo e com maiores particularidades, são utentes que não têm percepção do meio envolvente, eles vivem como se fosse o nosso mundo imaginário. Gostam de estar no mundo deles, fazer a sua rotina. São pessoas muito carinhosas, gostam de receber afecto mas acima de tudo dar e é importante que estejamos receptivos a fazê-lo.”

6- E como é que respondem às várias actividades e iniciativas propostas pela instituição? 
 “Eles fazem vários tipos de actividades como arraiolos, bordados, tear. Temos um que adora pintar, pinta com muita perfeição e é de salientar a sua perícia na utilização da boca para a pintura. É capaz de ficar nos intervalos a pintar e temos de respeitar esse espaço. Quando são empenhados e dedicados são muito bons nas tarefas.
Temos que saber gerir as actividades conforme as capacidades de cada um pois faz-lhe muita confusão se pedirmos uma coisa mais complexa. Os utentes que são acompanhados desde pequenos têm mais facilidade do que aqueles que chegam aqui com uma idade adulta. É muito gratificante e ficam muito orgulhosos quando vêem as suas tarefas finalizadas.”   
   
7- Já reparamos que os Autistas são pessoas muito especiais e difíceis. Como é que se lida com um Autista?
“Nós aqui temos autistas muito profundos e de várias idades. Têm rotinas que devem e teimam cumprir se são quebradas eles têm alterações de humor. É por isso que quando se trabalha com um autista, é importante que se faça as regras como eles estão habituados: chegam à instituição, vão para a sala, põe a bata, ficam no seu espaço… Se têm preferência por algum objecto não os devemos contrariar…
As suas estereotipias são as mais variadas possíveis. Nenhum autista é igual a outro, independentemente do seu grau ser o mesmo (leve, médio, elevado). Neste caso, os nossos autistas não comunicam mas há autistas que têm óptima comunicação verbal. Também há autistas que têm gosto por diversos tipos de artes, embora os nossos não realizem qualquer tipo de actividades porque são muito profundos. Estão sempre no seu canto, sossegados, balançam o tronco, têm fixação por objectos, auto - mutilam-se…”

8- Como é a relação deles com a família?
“ Alguns têm os familiares presentes e têm possibilidades, por isso vão para casa todos os dias. Há outros que não têm os familiares presentes e ficam aqui.
Mas nós tentamos sempre incentivar os pais a estar presentes e a acompanha-los.”

17 de janeiro de 2011

A primeira de muitas visitas (…)


Sexta-feira fomos, com a professora de Psicologia, visitar o Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) - instituição com a qual vamos colaborar ao longo deste projecto. A visita foi muito mais impressionante e emocionante do que aquilo que estávamos à espera.
Quando lá chegamos, a professora apresentou-nos de imediato à directora. Depois de lhe apresentarmos o nosso projecto e de conversarmos um pouco com ela, percebemos o quanto é apaixonada e dedicada ao seu trabalho. Como é uma pessoa bastante acessível, mostrou-se muito receptiva e interessada pela nossa ideia.
A nossa visita começou pelas oficinas onde fazem trabalhos manuais (ex: bordar, pintar, tear…). Em seguida, conhecemos, finalmente, os “meninos” que se encontravam a ver um dvd de um concerto do Tony Carreira, uma vez  que, na sexta-feira era dia de filme. Estávamos com receio de dar o primeiro passo, mas eles mal nos viram entrar ficaram super felizes e um deles até nos veio cumprimentar. A directora esteve a contar-nos um pouco da história de vida de cada um deles (que vamos contando ao longo das próximas publicações), e todas elas nos deixaram bastante emocionadas.
Por fim, fomos visitar meninos com deficiências mais profundas e, essas foram as que mais nos perturbaram. Para descontrair, a directora levou-nos a conhecer os “cantos à casa”, que têm excelentes condições e são bastante acolhedores.

PS: Um sorriso vale mais do que mil palavras J

3 de janeiro de 2011

Autismo

O que é?


Desde o primeiro instante de vida do ser humano surge a necessidade de interacção com o mundo. Logo no útero, estabelecem-se formas de comunicação únicas entre a mãe e o filho. Os primeiros sons, os primeiros gestos, as primeiras palavras, os primeiros rabiscos, os primeiros silêncios. Tudo é comunicação
Apesar disso, existem crianças que não desenvolvem formas com o exterior, ou seja, são completamente indecifráveis.
O Autismo foi identificado pela primeira vez, em 1943, pelo psiquiatra norte-americano, Leo Kanner. Sendo, actualmente, definido como uma perturbação do desenvolvimento infantil que se prolonga por toda a vida e evolui com a idade, e que se apresenta como alterações de comunicação, socialização e comportamentos restritos. O bebé com autismo apresenta determinadas características diferentes dos outros bebés da sua idade. Pode mostrar indiferença pelas pessoas e pelo ambiente, pode ter medo de objectos. Por vezes tem problemas de alimentação e de sono. Pode chorar muito sem razão aparente ou, pelo contrário, pode nunca chorar.
Quando começa a gatinhar pode fazer movimentos repetitivos (bater palmas, rodar objectos, mover a cabeça de um lado para o outro). Não é capaz de interagir com os outros, pode não dar resposta aos desafios ou às brincadeiras que lhe fazem. Não utiliza os brinquedos na sua função própria. Por exemplo, uma boneca pode servir para desmanchar e partir mas não para embalar.

Dos 2 aos 5 anos de idade o comportamento autista tende a tornar-se mais óbvio. A criança não fala ou ao falar, utiliza a ecolália ou inverte os pronomes. Há crianças que falam correctamente mas não utilizam a linguagem na sua função comunicativa, continuando a mostrar problemas na interacção social e nos interesses.

Os adolescentes juntam às características do autismo os problemas da adolescência. Podem melhorar as relações sociais e o comportamento ou, pelo contrário, podem voltar a fazer birras, mostrar auto-agressividade ou agressividade para com as outras pessoas.

Os adultos com autismo tendem a ficar mais estáveis se são mais competentes. Pelo contrário, os menos competentes, com QI baixo, continuam a mostrar características de autismo e não conseguem viver com independência.

As pessoas idosas com autismo têm os problemas de saúde das pessoas idosas acrescidos das dificuldades de os comunicarem. Os problemas de comportamento podem por isso sofrer um agravamento. Além disso, perdem muitas vezes o gosto pelo exercício físico e têm menor motivação para praticar desporto, o que não contribui para melhorar a sua qualidade de vida. Por outro lado, o seu comportamento pode tender a estabilizar-se com a idade.

Causas

Nos anos 40 e 50 acreditava-se que a causa do autismo estava nos problemas de interacção da criança com os pais. Várias teorias sem base científica e de inspiração psicanalítica culpabilizavam os pais, em especial as mães, por não saberem dar respostas afectivas aos seus filhos. Esse período foi dramático e levou algumas mães a tratamento psiquiátrico e em caso extremo, ao suicídio.
As causas do autismo estão ainda por esclarecer completamente. As evoluções na pesquisa científica têm vindo a apontar para o facto de poderem existir diversas causas, algumas presentes, outras não, em determinada pessoa. Assim, tal como existem diferentes tipos de autismo, também existem vários tipos de causas para o autismo.

 Causas Sociais
Uma das primeiras conclusões a que se chegou no início das investigações acerca das causas do autismo foi a de que não existe qualquer influência entre os estilos parentais, as características sociais de uma família (ex: cultura).
Em todo o mundo, o autismo manifesta-se de forma independente da raça, cultura, educação ou classe social dos indivíduos.

 Causas genéticas
A investigação actual sobre o autismo indica que há factores genéticos que determinam o autismo.
Sabe-se, por exemplo, que é mais frequente nos homens do que nas mulheres (4 homens / 1 mulher), e que em irmãos gémeos de pessoas com autismo a probabilidade do autismo, ou sintomas relacionados, se manifestarem sobe significativamente.
            Apesar do peso dos factores genéticos ser reconhecido, não é conhecido nenhum mecanismo genético específico que tenha influência directa na manifestação de autismo.

Causas na anatomia e funções cerebrais
A causa do autismo mais citada e melhor descrita é a certeza de que as crianças e pessoas com autismo têm alterações na anatomia e funções cerebrais. Essas alterações começam numa fase precoce da vida e têm tendência a ser irreversíveis. Não há ligação causal entre atitudes e acções dos pais e o aparecimento das perturbações do espectro autista. As pessoas com autismo podem nascer em qualquer país ou cultura e o autismo é independente da raça, da classe social ou da educação parental.